Teatro na formação pessoal do caráter humano e da pessoa com deficiência

O teatro é arte, uma das várias maneiras de expressar o que se sente e está sendo vivido naquele momento, seja pela dança, gestos, fala, mímicas ou canto. Uma arte que exige de quem pratica, talento, paciência, memória, improviso e vontade de aprender em constante evolução. Para as pessoas que possuem alguma limitação corporal isso pode se tornar ainda mais difícil e exigir mais tempo, mas não é impossível.

Quem fez dessa vontade uma realidade na vida de duas mulheres foi o diretor, ator e professor de teatro Lício Ferreira, que desde os 15 anos está nessa área, fazendo o que mais gosta. Ele diz que sempre defende a ideia de que todas as indústrias, empresas, escolas e universidades devem investir e ter um espaço adequado para a prática do teatro. “É uma linguagem artística que reúne outras linguagens também. O teatro possibilita uma melhor comunicação, se descobrir, e além disso, como ator, não temos limites para representar seja lá quantos personagens for. Eu me encontro quando estou no palco”, disse.

Além de ator, diretor e professor Ferreira também é acadêmico de Educação Especial, e sua intenção é fazer com que a Educação Especial também entre para o teatro, o que ele diz ser muito importante para a vida de pessoas como Maria Soares e Sonia Spezzatto, que atualmente desenvolvem uma peça de comédia inclusiva nas escolas com Ferreira, que tem o nome de “Ninguém Viu”.

Como acadêmico de Educação Especial, Ferreira diz que buscou este projeto com a intenção de colocar em prática tudo o que aprende. “Descobri a associação em que se encontravam a Maria e a Sonia, fiz um convite e de 30 pessoas, duas se interessaram”, explicou. Mesmo com poucos meses de trabalho já foi possível apresentar o teatro.

Além de participar da peça, Ferreira se coloca no lugar das protagonistas com os olhos vendados, uma forma de exercitar a empatia na apresentação.

Maria é deficiente visual, e pelo convite de Ferreira, desde o mês de maio ela entrou para o teatro e gostou muito da ideia. Ela diz que no início foi um pouco complicado para interpretar e atuar em alguns papeis, mas agora ela já está craque e pretende continuar nas aulas para aprender ainda mais.

Para as pessoas que têm deficiência visual Maria deixa um recado de incentivo e motivação. “Não é porque a gente perdeu a visão que vamos deixar de viver, a vida continua, é assim que eu penso”, disse.

Sonia Spezzatto veio do interior de São Paulo e já atuava desde então. Quando foi morar na região de União da Vitória (PR), decidiu aceitar o convite de Ferreira e começar a fazer as aulas de teatro com Maria. Ela conta que com o tempo elas conseguiram adaptar a peça de teatro que estão encenando com as necessidades que um deficiente visual possui. “O teatro dá para a gente a sensação de liberdade, de se expor, aprender a falar, a expressão corporal e dos  movimentos. Tudo isso é trabalhado bastante, embora a gente não faça uma aula específica. Além de guardar o texto que precisa ser guardado, o essencial da peça você precisa ter em mente”, explicou.

Com certeza Sonia indica o teatro para as pessoas que têm algum tipo de deficiência e acham que por esse motivo não podem usufruir dessa arte de expressar os sentimentos, que além de melhorar a qualidade de vida de quem pratica ajuda no desenvolvimento do caráter humano, tanto para adultos quanto para as crianças.

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